O Potencial do Acrílico para o mobiliário

Emprego do acrílico no mobiliário é escolha para diferenciação no mercado Por Júlia Magalhães – Revista Sob Medida Móbile Já pensou em integrar o acrílico no móvel do seu próximo cliente? As chapas podem compor partes de um artigo ou ser utilizado para a elaboração total de uma peça.

A principal vantagem do uso é a valorização do produto final, seja esteticamente, funcionalmente e em valor no mercado, pontua o engenheiro e consultor do Instituto Nacional para o Desenvolvimento do Acrílico (Indac),
João Orlando Vian.

Frequentemente visto em feiras européias, o material abre espaço para um nicho promissor que busca sofisticação. O mercado de acrílico brasileiro apresenta crescimento médio de 5% ao ano. Em 2013, registrou um pico de consumo de 12 mil toneladas. Em 2015, foi consumido 9,7 mil toneladas. Segundo Vian, o segmento de comunicação visual é o maior consumidor, enquanto a indústria moveleira responde por apenas 150 toneladas.

Em percentual isso equivale a 12% do volume total ou R$ 12,3 milhões. “O acrílico representa 0,1% no volume de compras da indústria moveleira. Isso é risível. É um volume muito pequeno que representa para um material que pode valorizar tanto o móvel”, destaca o executivo.

De fato, além de ser versátil e contemporâneo, é de fácil moldagem, possui uma gama infinita de cores e é 50% mais leve que o vidro, embora seja mais resistente. Além disso, custa em média R$ 22,00 por quilo, valor que pode se assemelhar a outros materiais usados na fabricação de móveis. Outras particularidades são que pequenos riscos, encardidos e manchas superficiais podem ser removidos aplicando-se polidores. “As chapas acrílicas originais suportam até dez anos no sol, sem amarelamento. As coloridas desbotam após alguns anos e as chapas recicladas não são recomendadas para uso externo”, pontua o engenheiro.

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Mesa lateral linha transparência, do arquiteto Carlos Rizzo Jr., da Acrilaria

Manuseio do Móveis em Acrílico

No mercado brasileiro existem basicamente as chapas originais cast e extrusadas e as chapas recicladas. Elas podem ser cortadas em serras circulares ou de fita, utilizadas para madeira. No entanto, recomenda-se rotação e especificação da serra, próprias para acrílico. Outra opção são os equipamentos de corte laser, pois se obtém bordas lisas, sem necessidade das operações de lixamento e polimento. “Diferentemente da madeira, as chapas acrílicas são materiais termoplásticos e podem ser facilmente moldadas com aquecimento em fornos, atingindo temperatura em torno de 160ºC”, aponta Vian.

Elas podem ser facilmente unidas entre si ou a outros materiais com colas especiais. A colagem correta é uma etapa vital no desenvolvimento de peças atrativas e de alta qualidade, que possam exibir uniões fortes, limpas e sem manchas. A quantidade de cola usada na união deve ser a necessária e suficiente de forma a reduzir ao mínimo os trabalhos posteriores de acabamento, como usinagem e polimento.

Estoque

A armazenagem requer alguns cuidados especiais. Elas são comercializadas com película protetora em ambas superfícies, visando protegê-las contra riscos. No entanto, o engenheiro do Indac recomenda separar o estoque de acrílico do restante das matérias-primas, sempre em cavaletes ou encostadas na parede formando angulo de 5 a 10º.

Exclusividade

A diferenciação é um dos caminhos assertivos para ganhar mercado no setor moveleiro. Neste sentido, o acrílico, segundo o arquiteto Carlos Rizzo Jr., da Acrilaria, tem uma aceitação muito grande, mas com muito espaço para ampliar. E aconselha que todo marceneiro deveria lançar um olhar para o seu potencial. “É um material incrível para trabalhar. O fato de ele ser muito mais leve e resistente do que o vidro são qualidades fantásticas”, considera.

Como exemplo de sua resistência, cita uma mesa que fez em conjunto com um marceneiro. Toda a estrutura é composta de acrílico transparente com o tampo de madeira de demolição. “O efeito visual é muito legal, pois parece que o tampo fica flutuando. A fixação foi feita com parafusos. Trabalhamos com o acrílico nessa experiência como se fosse madeira mesmo, com furação com uma broca específica, com parafuso convencional de metal”, conta.

Para a produção de peças em acrílico, prossegue, boa parte do que se usa são do dia a dia de um marceneiro. “Se entrar em uma acrilaria ela tem quase tudo que uma marcenaria tem – com exceção de uma máquina de impressão e uma máquina de corte a laser que é especifica para plásticos e acrílicos”. O arquiteto revela que há muitos acrileiros que vieram do mundo da marcenaria. “Tem muita gente mexendo com o acrílico de alguns anos para cá que deixaram a marcenaria ou que somaram o acrílico ao seu portfólio”.

Rizzo Jr. chama atenção ainda para a qualificação neste mercado. E indica um curso oferecido pelo Indac, que conta com uma grade bem completa. “Temos lá os melhores profissionais do mercado de acrílico juntos para fazer esse curso. Além de ser bom é o único que tem”, finaliza.